Construindo uma teoria do jornalismo

Jorge Pedro Sousa1
Universidade Fernando Pessoa


Índice

Resumo

Os teóricos do jornalismo têm-se dividido em dois campos quanto à edificação de uma teoria unificada do jornalismo. Para autores como Traquina (2002) ou Viseu (2003), ainda não é possível formular uma teoria do jornalismo; para outros autores, como Shomaker e Reese (1992) e Sousa (2002), já existe conhecimento suficiente sobre o jornalismo para se edificar uma teoria do jornalismo. O autor apresenta, aqui, o seu contributo para a construção de uma teoria unificada do campo jornalístico. O modelo proposto assenta em duas equações interligadas, a primeira das quais visa as notícias e a segunda os seus efeitos. Na primeira fórmula, a notícia é vista como uma função de seis forças (pessoal, social, ideológica, cultural, histórica e do meio físico e tecnológica); na segunda, os efeitos das notícias são vistos como uma função da notícia, das pessoas e das suas circunstâncias.

Introdução

À semelhança das ciências exactas e naturais, as ciências humanas e sociais devem procurar agregar os dados dispersos fornecidos pela pesquisa em teorias integradoras susceptíveis de explicar determinados fenómenos com base em leis gerais predictivas, mesmo que probabilísticas. As ciências da comunicação devem, assim, ultrapassar a sua condição de "disciplinas sérias", como lhes chamou Debray2, para assumir a sua cientificidade, como pretendia Moles (1972). Isto implica avançar para a enunciação de teorias sempre que os pesquisadores considerem que existem dados científicos e evidência suficientes. No campo do jornalismo, essa opção tem sido seguida por pesquisadores como Shomaker e Reese (1992), Sousa (2000; 2002) e mesmo Schudson (1988), contando, porém, com a oposição de autores como Traquina (2002) ou Viseu (2003).

Uma teoria do jornalismo deve partir da observação de que há notícias jornalísticas3 e de que estas têm efeitos. Em resultado desta evidência, uma teoria do jornalismo deve centrar-se no produto jornalístico -a notícia jornalística, explicando como surge, como se difunde e quais os efeitos que gera. Em suma, a teoria do jornalismo deve substancializar-se como uma teoria da notícia e responder a duas questões:

Uma teoria da notícia, à semelhança de outras teorias científicas, deve ser enunciada de maneira breve e clara, deve ser universal, deve ser traduzível matematicamente e deve ainda ser predictiva. Deve atentar no que une e é constante e não no que é acidental. Isto significa que o enunciado da teoria deve ser contido, explícito e aplicável a toda e qualquer notícia que se tenha feito ou venha a fazer. Uma teoria da notícia, como qualquer teoria científica, será válida unicamente enquanto não ocorrerem fenómenos que a contradigam, pois o conhecimento científico, que é construído, como qualquer outro tipo de conhecimento, é marcado pela possibilidade de refutação e, portanto, pela revisibilidade.

Propondo um modelo teórico integrador

Os resultados das pesquisas realizadas no campo dos estudos jornalísticos (ver, por exemplo, Sousa, 2002; Shoemaker e Reese, 1996; Schudson, 1988) permitem percepcionar que (1) a notícia jornalística é o produto da interacção histórica e presente (sincrética) de forças pessoais, sociais (organizacionais e extra-organizacionais), ideológicas, culturais, históricas e do meio físico e dos dispositivos tecnológicos que intervêm na sua produção e através dos quais são difundidas; e (2) que as notícias têm efeitos cognitivos, afectivos e comportamentais sobre as pessoas e, através delas, sobre as sociedades, as culturas e as civilizações.

Matematicamente, a teoria pode traduzir-se por duas funções interligadas num sistema:

N = f (Fp.Fso.Fseo.Fi.Fc.Fh.Fmf.Fdt)

En = f (Nf.Nc.P.Cm.Cf.Cs.Ci.Cc.Ch)

A primeira equação do sistema mostra que a notícia (N) é função de várias forças, a saber:

Num esquema gráfico, a primeira equação poderia ser traduzida da seguinte maneira:

Image sousa-jorge-pedro-construindo-teoria-jornalismo1

Fig. 1 - As notícias são a resultante de um processo sincrético, ou seja, histórico e presente, no qual interagiram e interagem várias forças: pessoal, social (organizacional e extra-organizacional), ideológica, cultural, histórica e do meio físico e tecnológico.

A segunda equação do sistema evidencia que os efeitos de uma notícia (Enoki variam em função das seguintes variáveis:

As evidências que conduzem ao modelo

Os resultados das pesquisas que têm vindo a ser produzidas sobre o campo jornalístico, nas quais se recorre a métodos como a análise do discurso, a observação participante, as entrevistas, os inquéritos e os grupos de foco permitem alicerçar o modelo teórico aqui sumariamente apresentado4.

Primeira equação

No que respeita à primeira equação, podemos considerar, por exemplo, o papel individual do jornalista como gatekeeper (White, 1950), a utilização de rotinas cognitivas (Stocking e Gross, 1989) ou a auto-imagem que o jornalista tem de si e do seu papel social (Johnstone, Slawski e Bowman, 1972) como exemplos de forças pessoais. As rotinas produtivas, destacadas por Tuchman (1972; 1978) situam-se a meio caminho entre a força pessoal e a força social, pois correspondem a formas mecanicistas pessoais de proceder, embora esses mecanicismos representem, igualmente, uma maneira de os jornalistas se defenderem de críticas e de as organizações noticiosas fazerem estrategicamente face ao imprevisto e conseguirem garantir que o produto informativo se faz (Tuchman, 1972; 1978). Do mesmo modo, o factor tempo pode considerar-se a meio caminho entre as forças pessoais e sociais, já que afecta os produtores de informação e as fontes mas ganha expressão no seio da organizacional, onde se manifesta como um constrangimento à produção de informação.

A força social pode situar-se em diferentes níveis: uma força sócio-organizacional (que se refere aos constrangimentos decorrentes das organizações noticiosas) e uma força social extra-organizacional (referente a todos os constrangimentos que influenciam o jornalismo a partir do exterior). Ao nível organizacional, as notícias são influenciadas por factores como a rede que estendem para pescar acontecimentos dignos de se tornarem notícia (Tuchman, 1978), o desejo de lucro (Gaunt, 1990), os mecanismos de socialização que impelem os jornalistas a seguir as normas organizacionais (Breed, 1955), a competição entre editores e editorias (Sigal, 1973), os recursos humanos e materiais (Sousa, 1997), a hierarquia e a organização internas (Sousa, 1997), a dimensão e a burocracia interna (Shoemaker e Reese, 1996), os constrangimentos temporais (Schlesinger, 1977), a interacção com as fontes de informação, etc. Ao nível extra-organizacional, as notícias são influenciadas por factores como a audiência e o mercado (Gaunt, 1990; Kerwin, 1993), as relações (problemáticas) estabelecidas entre jornalistas e fontes de informação, com prevalência dos canais de rotina5 (Sigal, 1973, etc.), etc.

A notícia também sofre constrangimentos ideológicos (força ideológica). Considerando-se a ideologia como um mecanismo simbólico que, integrando um sistema de ideias, cimenta a coesão e integração de um grupo social em função de interesses, conscientes ou não conscientes (a cultura também cimenta coesões, mas não em função de interesses), a força ideológica sobre as notícias exerce-se a vários níveis, começando pelas ideologias profissionais da objectividade e do profissionalismo (Sousa, 2000; 2002). As notícias também tendem a possuir um conteúdo ideológico que decorre, sobretudo, das práticas profissionais. Neste caso, as notícias podem ser um produto para a amplificação dos poderes dominantes, para a definição do legítimo e do ilegítimo, do normal e do anormal e para a sustentação do statu quo (Hall, 1973; 1978; Shoemaker e Reese, 1996, etc.), mas sem excluir que há espaços polifónicos no jornalismo.

As notícias também variam em função do sistema cultural em que são produzidas. Por exemplo, as notícias transportam consigo os ``enquadramentos'' (frames) em que foram produzidas (Traquina, 1988; Schudson, 1988), são construídas no seio de uma gramática da cultura que as leva a representar a realidade repetindo formatos culturalmente aprendidos (Nimmo e Combs, 1983; Schudson, 1988), mobilizam um inventário do discurso (Hall, 1984), ou seja, são escritas em "jornalês" (Phillips, 1976), tendem a integrar os mitos, as parábolas, as lendas e as histórias mais proeminentes numa determinada cultura (Shoemaker e Reese, 1996), etc. Em suma, as notícias possuem códigos simbólicos, culturais, que permitem o seu reconhecimento pela audiência (Bird e Dardenne, 1988).

Não há muitos estudos sobre a influência do meio físico e dos dispositivos tecnológicos sobre o trabalho jornalístico. De qualquer modo, e no que respeita ao meio físico, é quase intuitivo dizer-se que um jornalista pode produzir mais e melhor num local apropriado ao seu trabalho do que num escritório inadequado e desconfortável; ou que o trabalho em situações limite, como as guerras, influencia a cobertura. A acção dos dispositivos tecnológicos também é evidente no jornalismo. Basta relembrar as mudanças operadas com a introdução de computadores nas redacções, com a inserção de máquinas fotográficas e videográficas em telemóveis celulares, com o videofone, com a Internet, etc.

Finalmente, para se fundamentar a primeira equação do modelo matematizado proposto há que atentar na força histórica. Alguns exemplos: as notícias repetem formatos ancestrais de narração, como aqueles que eram usados nas antigas Grécia e Roma (Casasús e Ladevéze, 1991). O conceito de actualidade ganhou novas dimensões a partir da introdução do telégrafo (Álvarez, 1992). Ao longo dos anos tem-se também assistido ao alargamento do conjunto de temas noticiáveis, devido, entre outras razões, à evolução dos frames culturais (Álvarez, 1992). Noutro exemplo, foi a evolução histórica da tecnologia (força tecnológica ao longo da história) que providenciou ao jornalismo novas tecnologias para a produção e difusão de notícias (Martín Aguado e Armentia Vizuete, 1995).

Segunda equação

Vários autores chamam a atenção para a necessidade de se interligarem as notícias aos seus efeitos numa teoria do jornalismo. Por exemplo, Shoemaker e Reese (1991; 1996) argumentam que é necessário conhecer os conteúdos das notícias para se perceberem os respectivos efeitos; e que só se percebem os efeitos quando se conhecem os conteúdos. Por outras palavras, pode dizer-se que a notícia apenas se esgota na sua fase de consumo, que é, precisamente, a fase em que produz efeitos. Além disso, Shoemaker e Reese (1991; 1996) realçam que os efeitos das notícias sobre a sociedade, as instituições e os poderes podem, por sua vez, repercutir-se retroactivamente sobre os meios jornalísticos e, portanto, sobre as notícias e os seus conteúdos.

Sousa (2002; 2003) explica, por seu turno, que as notícias influenciam a sociedade e as pessoas, a cultura e as civilizações, mas também a sociedade, as pessoas, a cultura e as civilizações influenciam as notícias. As notícias fazem parte da realidade, contribuem para a construção de imagens da realidade, agendam temáticas de debate público, etc. A realidade, nomeadamente a agenda pública, funciona como referente das notícias.

Os efeitos de uma notícia dependem dessa mesma notícia e da pessoa que a consome (ver, por exemplo: Sousa, 2002; Sousa, 2003). As pessoas nem sempre apreendem as mesmas notícias e quando o fazem não o fazem da mesma maneira. Por isso, antes de se pensar em efeitos sociais, ideológicos, culturais e civilizacionais das notícias é preciso atentar nos seus efeitos sobre as pessoas. Os efeitos sociais, culturais e civilizacionais das notícias correspondem a uma espécie de alargamento do leque de abrangência dos efeitos pessoais, ou seja, assentam e partem dos efeitos pessoais.

As notícias apresentam um formato e um conteúdo. O formato corresponde à forma com que o conteúdo se apresenta. O formato das notícias condiciona a atenção e, portanto, a percepção e a apreensão de uma notícia. O conteúdo contribui para o desencadeamento de efeitos afectivos, cognitivos ou comportamentais (Ball-Rokeach e DeFleur, 1976) em cada pessoa. Mas os meios de comunicação influenciam muitas pessoas em simultâneo, daí que os efeitos das notícias, embora radiquem primariamente em cada pessoa, devam ser considerados prioritariamente a nível social, ideológico, cultural e civilizacional.

Os efeitos das notícias variam em função das pessoas porque as pessoas são diferentes entre si e vivem rodeadas de diferentes circunstâncias. Isto não significa que não haja circunstâncias comuns a várias pessoas ou que algumas pessoas não apresentem suficientes semelhanças entre si para os efeitos dos meios serem semelhantes, sobretudo quando se pensa em efeitos a grande escala. Significa apenas que antes de se atentar nos efeitos a grande escala é preciso observar os efeitos sobre cada pessoa, porque, em última instância, cada caso é um caso.

As circunstâncias que afectam a recepção de uma notícia, e, portanto, os seus efeitos, são diversos. Em primeiro lugar, pode-se atentar nas circunstâncias mediáticas. Os efeitos de uma notícia variam em função do meio. É diferente consumir uma notícia na rádio, onde a mensagem oral, para ser compreensível, tem necessariamente que ser breve, uma notícia na televisão, onde se pode aliar a imagem em movimento ao texto-off, uma notícia na imprensa, que pode ser mais aprofundada e incluir imagens fixas, e uma notícia na Internet, onde o consumidor pró-activo pode traçar o seu próprio caminho na busca de informação.

Seguidamente, deve atentar-se em todo o conjunto de macro-circunstâncias que rodeiam uma pessoa. Num determinado momento histórico, os valores, as normas, as crenças, as relações sociais estabelecidas, as ideias referenciais, o sentido que a realidade assume para as pessoas afectam o efeito das notícias. Por isso, os efeitos das notícias dependem de todo o vasto conjunto de circunstâncias sociais, ideológicas e culturais que rodeiam o consumidor das mesmas (ver, por exemplo: Sousa, 2002; 2003).

Testando o modelo (primeira equação)

As notícias, podendo indiciar a realidade que referem, também indiciam as suas circunstâncias de produção, reveladas nas numerosas pesquisas que constituem o corpo da teoria do jornalismo. Esse mecanismo torna possível identificar nas notícias os resultados das forças que sobre elas se fazem sentir, impulsionando, direccionando e constrangendo a sua produção. Nos exemplos a seguir inseridos é possível identificar algumas dessas forças. No primeiro caso temos uma notícia de 1864 (extraída do primeiro número do Diário de Notícias) e no segundo caso uma notícia da viragem do século XX para o século XXI (alterada para protecção dos visados).

Notícia 1 Suas Magestades e Altezas passam sem novidade em suas importantes saúdes.

Notícia 2 O Presidente da República vai ser submetido a uma pequena cirurgia cardiovascular no próximo mês, anunciou a Presidência da República.

A Presidência da República esclarece que o Presidente se encontra bem de saúde e que a cirurgia, embora delicada, é comum.

A operação obrigará o Presidente a uma semana de internamento e ao cancelamento dos seus compromissos oficiais.

A cirurgia será feita no Hospital X, em Lisboa, pela equipa do professor Y, que nos últimos cinco anos operou mais de 250 doentes, com uma taxa de sucesso de quase cem por cento.6

O que ambas as notícias nos revelam sobre si mesmas e sobre as circunstâncias e o contexto em que foram produzidas? Para responder a esta questão, procede-se à análise, com base no modelo de Sousa (2002), das forças que as notícias indiciam, partindo de um cenário macroscópico.

Conclusão

Estamos convencidos de que é tarefa dos estudiosos do jornalismo construir uma explicação unificada para as notícias, se é que os estudiosos do jornalismo querem ambiciosamente chegar a algum lado. Estamos também convencidos que de os estudos jornalísticos foram de tal forma férteis que já nos deram matéria-prima suficiente para edificarmos essa explicação unificada de forma simples, breve e clara, como acontece em qualquer teoria científica, independentemente da complexidade da fundamentação da mesma. Estamos ainda convencidos de que qualquer notícia é fruto de condicionantes pessoais, sociais, ideológicas, culturais e históricas, do meio físico em que é produzida e dos dispositivos tecnológicos que afectam a sua produção. É possível, assim, explicar qualquer notícia em função da interacção dessas forças e prever que qualquer notícia que venha a ser enunciada e fabricada dentro do sistema jornalístico resultará igualmente da interacção dessas forças. Por isso, pensamos, e consideramos provado, que essas forças têm de estruturar uma teoria unificada do jornalismo. Quando uma notícia vier a contradizer a teoria, será, então, altura de rever a teoria e, eventualmente, de a substituir.

Bibliografia



Notas de rodapé

... Sousa1
Doutor em Ciências da Informação. Professor associado e pesquisador da Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.
... Debray2
Entrevista a Régis Debray, conduzida por Adelino Gomes e publicada no suplemento Mil Folhas do jornal Público, a 23 de Novembro de 2002.
...isticas3
Ou seja, há notícias produzidas pelo sistema jornalístico a partir de referentes reais.
... apresentado4
Nos livros de Sousa (2000; 2002; 2003), Shoemaker e Reese (1991; 1996) e Shoemaker (1991) encontram-se abundantes referências aos resultados das pesquisas sobre jornalismo, sistematizados de acordo com a tese apresentada.
... rotina5
São muitas as pesquisas sobre as relações entre jornalistas e fontes. Consultar, por exemplo, Sousa (2000; 2002) ou Santos (1997).
... cento.6
Notícia de fundo verídico, com alguns nomes e circunstâncias alterados para protecção dos visados.
... informativa7
Pouca era a informação circulante em Portugal.
... nascente8
A imprensa noticiosa tem raízes na primeira geração da imprensa popular que desponta nos Estados Unidos nos anos vinte e trinta do século XIX e na imprensa de negócios que floresce a partir do século XVIII. Essa primeira vaga de jornalismo predominantemente noticioso (penny press) vai-se impor ao jornalismo predominantemente opinativo (party press) até ao final do século XIX, motivada, entre outros factores, pelo aumento da informação circulante devido à generalização do telégrafo e à melhoria dos transportes e das vias de comunicação. Em Portugal, a fundação do Diário de Notícias, no fim de 1864, assinala precisamente essa viragem noticiosa do jornalismo.
...icia9
Molotch e Lester (1974) apresentaram o conceito de promotores de notícias para definir os indivíduos que procuram elevar determinados acontecimentos à categoria de notícias. Na segunda notícia, a assessora de comunicação da Presidência funciona como promotora. Molotch e Lester (1974) baseiam-se nas figuras dos promotores para definir vários tipos de acontecimentos. Porém, no caso presente a definição de acontecimentos dos autores não é aplicável, pois a primeira notícia não teve um promotor a não ser o próprio órgão de comunicação social e a segunda, embora tenha um promotor, é um acontecimento de rotina construído sobre um acidente, correspondendo, de certa forma, à rotinização do inesperado de que falava Tuchman (1978).
... culturais10
Goffman (1975) foi o primeiro a teorizar sobre a noção de "enquadramento" ou frame. Um "enquadramento" corresponde às formas de organizar a vida para dar sentido ao mundo social e para lhe dar respostas adequadas.
... Diurnae11
Antepassados remotos dos jornais, as Actae Diurnae, instituídas por Júlio César, serviram inicialmente para dar conta dos debates no Senado de Roma e transformaram-se depois numa espécie de jornal administrativo difundido por todo o Império Romano, com notícias das vitórias das legiões, dos abastecimentos de cereais, da Corte Imperial, etc.
... XIX12
Sobretudo a partir da Guerra Civil Americana (Álvarez, 1992).
... jornalista13
Em 1864 ainda não existiam jornalistas propriamente ditos, em especial em Portugal, embora a profissionalização estivesse a avançar a passos largos nos Estados Unidos devido à acção dos repórteres que cobriram a Guerra da Secessão (ou Guerra Civil).