Blog e jornalismo on-line:
Potencialidades
profissionais na contemporaneidade tecnológica
Aleta Tereza Dreves
Faculdade de Pato Branco - FADEP
2004
Monografia apresentada como requisito parcial à conclusão do Curso de
Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo, da Faculdade de Pato Branco –
FADEP.
Orientador: Prof. Mariele S. Santos
Dedicatória
Dedico este trabalho a pessoa mais importante da minha vida.
Minha mãe, Iracema
Teresa Costa, que me auxiliou e acreditou que tudo isso seria
possível.
Aos
meus amigos, ex-namorados, rolos, “comedores”,
ao
Marlboro (vermelho) e a Bohêmia,
pelos
momentos de relaxamento proporcionados.
Agradecimentos
Agradeço a todos os amigos que me ajudaram, tiveram
paciência e compreensão. Mas dentre todos devo citar alguns nomes em especial.
Agradeço a Débora Cristina Lopez, pelo auxilio na jornada e
pela responsabilidade de iniciar meus estudos na área de pesquisa científica.
Ao Professor Doutor Toni André Scharlau Vieira, pelo carinho
e apoio nas horas mais difíceis e pela paciência.
A Juciane Alves da Luz Branco, pela força, coragem e
incentivo. A toda família Capaverde pelo acolhimento e por se tornar também
minha família. A uma amiga distante Sonja Neto Zoch, por ser sempre minha
segunda mãe.
Ao amigo André Pase, por ser responsável pela opção do curso
de jornalismo. A minha maravilhosa “desorientadora”, Marielle S. Santos, que me
orientou com muito carinho, paciência e dedicação. A amiga Edinéia Loriane
Rauta, por me agüentar na finalização da monografia.
“O exagero profético e a
manipulação ideológica
que caracterizam a maior parte dos discursos
sobre a revolução da tecnologia da informação
não devem levar-nos a cometer o erro
de subestimar sua importância
verdadeiramente fundamental”
Manuel
Castells
Resumo
As variadas maneiras de propagação da
informação apareceram na rede mundial de computadores. As novidades nascem “a
cada minuto”. Entre elas estão os blogs. Mas o que são blogs ou weblogs? São
páginas na internet onde os autores podem utilizar uma tecnologia fac ilitada ou
pronta, para divulgar ou escrever sobre vários assuntos.
Em meio a essa gama de mensagens, há
blogs que podem ser entendidos como importantes espaços de veiculação de
informações jornalísticas. E quando unidos ao jornalismo on-line, podem ser
considerados uma grande ferramenta de expansão e disponibilização da
informação.
Nesse contexto, a proposta desta pesquisa
é discutir a quantidade de informação disponibilizada através do recurso em
questão, verificando a qualidade da mesma e o seu potencial enquanto uma
produção que pode complementar as ferramentas utilizadas pelo jornalismo
on-line atualmente.
Analisando o jornal on-line Último
Segundo e seus Bligs, que são os blogs pertencentes a este jornal on-line. Esta
pesquisa, então, propõe-se a entender melhor os fenômenos de comunicação
contemporâneos, provocados pelo surgimento e disseminação dos blogs.
Mais do que dissecar os blogs, a idéia é
compreendê-los como potência para indicar possíveis caminhos a uma necessidade da
profissão: disponibilizar informações com o menor número de restrições
possíveis.
Palavras chaves: jornalismo on-line,
blogs, internet.
Introdução
Desde a
invenção da internet, variadas maneiras de propagação da informação apareceram
na rede mundial de computadores. Primeiramente, através de canais de
conversação, como as antigas salas de bate-papo do BBS[1],
no final dos anos 70, chats[2], ircs[3],
icq[4]
e msn[5].
Logo, veio o primeiro jornal on-line, cópia fiel do impresso The New York
Times. Então, com o passar dos tempos, as notícias on-line foram tomando corpo
e uma certa padronização.
Seguindo
a idéia de evolução dos mecanismos de transmissão de informação on-line,
cita-se o aparecimento dos hipertextos, como ferramentas de auxílio e adequação
da notícia ao meio e ao receptor das informações. Assim, o jornalismo na
internet foi tomando forma.
As
novidades nascem “a cada minuto”. Entre elas estão os blogs. Mas o que são
blogs ou weblogs? São páginas na internet onde os autores podem utilizar uma
tecnologia facilitada ou pronta, para divulgar ou escrever sobre vários
assuntos. Muitos desses blogs são apenas diários. Diários que foram passados de
agendas reais para “agendas” virtuais, onde os autores relatam seus
sentimentos, pensamentos, vontades, acontecimentos cotidianos. Em meio a essa
gama de mensagens, há blogs que podem ser entendidos como importantes espaços
de veiculação de informações jornalísticas.
Muito se
debate sobre o fenômeno “blogs”, que é ainda uma criança, com aproximadamente
quatro anos de popularidade. Porém, os blogs já podem ser classificados em
várias categorias, como, por exemplo, “diários, publicações, literários,
clippings e mistos”, segundo Raquel da Cunha RECUERO (2003).
A
princípio, a linguagem utilizada nos blogs é diferente da linguagem utilizada
pelos jornais on-line, mesmo porque, o fator organização é diferente, sem falar
nos objetivos específicos de cada um. Mas, percebe-se, também, que quando um
blog é utilizado como ferramenta de ampliação da interatividade de um jornal on-line,
como é o caso do Último Segundo, a “linguagem blogueira” sofre algumas
mudanças.
Nesse
contexto, a proposta desta pesquisa é discutir a quantidade de informação
transmitida através do recurso em questão, verificando a qualidade da mesma e o
seu potencial enquanto uma produção que pode complementar as ferramentas
utilizadas pelo jornalismo on-line atualmente. Assim se estaria assumindo uma
das funções do jornalista: a de investigar as potencialidades das novas
tecnologias de comunicação e suas linguagens midiáticas.
Esta
pesquisa, então, propõe-se a entender melhor os fenômenos de comunicação
contemporâneos, provocados pelo surgimento e disseminação dos blogs. Mais do
que dissecar os blogs, a idéia é compreendê-los como potência para indicar
possíveis caminhos a uma necessidade da profissão: disponibilizar informações
com o menor número de restrições possíveis.
Aspectos
metodológicos
Para dar conta da discussão proposta por esta monografia, no
capítulo I, procuramos descrever o que é um blog, história, função,
ferramentas, classificações, distinções, utilização. Para isso, autores como
SILVA (2003), PAQUET (2002), RECUERO (2002) são utilizados. Fizemos uma análise
de dez blogs, escolhidos na seção Blogs OF Note, do Blogger Brasil, devido este
servidor de blogs, junto com Blogger internacional, ser o mais popular no
mundo, para demonstração de suas classificações,
Sistematizamos, no capítulo II, o conceito de jornalismo on-line e
como se deu o seu nascimento. Descrevemos os portais e sua influência sobre o
webjornalismo, mostramos as três gerações de sites e como se produz uma notícia
jornalística para internet. Entendemos, ainda, que a internet resulta de uma
mistura de mídias tradicionais, a famosa convergência. No mundo virtual,
podemos ter acesso a textos, imagens, vídeos, áudios e, principalmente, à
interatividade. Entre os autores que embasam esse debate estão FERRARI (2003),
PINHO (2003), LEÃO (1999), QUADROS (2002), CANASVILHAS (2001), MOHERDAUI
(2000), MIELNICZUK (2003) e PALACIOS (2003).
No capítulo III, abordamos o funcionamento do jornal on-line Último
Segundo e seus Bligs. Tal produto foi escolhido pois o jornal do Último
Segundo, foi o primeiro jornal produzido totalmente para a internet.
Pretende-se demonstrar, com base em na análise feita, que o Último Segundo
firmou uma espetacular parceira com os blogs, tirando proveito do que eles
oferecem de melhor, a interatividade. Proporcionando, assim, a união entre o
jornalismo on-line e uma nova ferramenta de transmissão da informação, o blog.
No capítulo IV, relacionamos algumas das diferenças e similaridades
existentes entre os blogs e o jornalismo on-line, procurando confirmar a
hipótese que evidencia a importância dos blogs como ferramenta que auxilia no
processo de produção jornalística. Auxiliaram nessa explanação SILVA (2003) e
RECUERO (2003).
1
Uma revolução chamada blog
Escrever para um blog é um ato de exteriorizar palavras ou idéias,
sendo que qualquer pessoa que tenha afinidade e ou navegue na internet pode
fazer. Antes do surgimento dos blogs, para publicar algum tipo de informação ou
página pessoal na internet, o internauta deveria ter conhecimento técnico,
paciência, tempo e disposição para criar uma homepage. Hoje, basta usar o
sistema blog.
Esse novo fenômeno causa uma revolução. Amplia a possibilidade das
informações serem jogadas na rede mundial de computadores a qualquer instante,
sobre todo e qualquer assunto. É um mundo virtual portador de cultura, beleza,
tristeza, narcisismo, linguagens estranhas, informações científicas, contextualizadas
ou não. O ato de escrever é simplificado e parece uma atividade fácil. Muitos
dos blogueiros não se preocupam com a qualidade da escrita ou, até mesmo, com o
que estão escrevendo. Há narcisismo do autor, o qual simplesmente exterioriza
os pensamentos daquele instante.
No ato de
escrita, o escritor torna externos seus pensamentos. O escritor envolve-se numa
relação reflexiva e refletida na página escrita, na qual os pensamentos tomam
corpo publicamente. Torna-se difícil dizer onde o pensamento termina e a
escrita começa, onde a mente termina e o espaço de escrita começa. Com qualquer
técnica de escrita – na pedra, no barro, no papiro ou no papel e,
particularmente, na tela do computador – o escritor chega a considerar a
própria mente como um espaço de escrita. (SILVA, 2003, p.8)
Com essa abertura indiscriminada da escrita na rede mundial de
computadores, parte considerável dos blogs pode ser intitulada como diários
pessoais. Porém, há condições para que esse instrumento on-line tenha suas funções
ampliadas e canalizadas à transmissão de informações de interesse social.
Para
entender o que é um blog, vamos explicar a palavra weblog, a qual é resultante
de duas outras da língua inglesa. A palavra web é utilizada para abreviar www
(World Wide Web), sendo dela derivada. Já a palavra log indica registro. Por
sua vez, weblog, registros na web.
Para
analisar os blogs, é necessário ter em mente como são caracterizados.
Primeiramente, eles dispõem de ordem cronológica da informação, exibindo em
primeiro lugar os textos postados em data mais recente. Nesse universo usa-se a
palavra postar para indicar a colocação da informação na rede. Um post, como é
chamado pelos blogueiros o resultado do ato de postar, é uma atualização ou a
alimentação de alguma informação no blog.
Além da
exposição da informação em ordem cronológica, elas são colocadas no ar através
de blocos. Para a construção de um blog, encontram-se templates[6]
prontos, que devem ser seguidos pelos usuários. Isso é o que facilita a vida de
internautas que desconhecem linguagens de programação para a web. Diz-se que a
interface é simplificada, uma vez que a disposição do conteúdo é padrão para
todos aqueles que criam um blog através de uma ferramenta servidora de weblog.
(...)
weblogs possuem uma estrutura-padrão, um formato específico, com algumas
variáveis, e por isso são facilmente reconhecíveis na internet. Tal estrutura é
determinada por um conjunto de blocos de conteúdo textual e/ou imagético
permanentemente renovado. Os weblogs são ainda organizados em função do tempo,
ou seja, com as últimas atualizações na parte superior do sítio e as mais
antigas logo abaixo, organizadas de acordo com a data de publicação do bloco de
texto, privilegiando a atualização mais recente, permitindo que o visitante
saiba quando ou se o sítio fora atualizado. (SILVA, 2003, p. 21)
Como
explicado, os blogs são construídos desde que um servidor ou uma ferramenta
disponibilize o serviço. Como é o caso dos servidores brasileiros, Blogger,
Weblogger, Blig. Estas ferramentas facilitam, ao usuário, a criação e
manutenção de um blog. Assim, torna-se fácil reconhecer a que servidor o blog,
pertence, uma vez que os endereços eletrônicos URL[7]
são derivados daquele. Porém, nem todos os usuários que possuem blogs usam
estas ferramentas. internautas mais experientes e com domínio de programação na
internet podem optar por criar a sua própria ferramenta de blog. Além disso, os
blogs podem ser atualizados diariamente, quinzenalmente, ou, até mesmo, a toda
hora, sem padrão específico.
Os
weblogs são baseados em mecanismos que facilitam a colocação de um website no
ar. Geralmente possuem layouts prontos e
dispensam a necessidade de que o blogueiro saiba a linguagem HTML, principal
problema para a colocação de conteúdo na Web. A maioria dos weblogs é baseada
também nos princípios de microconteúdo (textos curtos, com as informações
relevantes, colocados de modo padrão - em blocos - no site, denominados posts),
e atualização freqüente (geralmente, diária. Em alguns casos, os weblogs são
atualizados várias vezes ao dia). (RECUERO, 2003, p. 1)
Entre as
características marcantes dos blogs estão os links e os espaços para
comentários dos visitantes. Boa parte dos blogs contém links[8]
para outros blogs, que, em sua maioria, publicam assuntos correlatos, formando
uma espécie de corrente.
Por
vivência na própria internet, construindo, renovando e visitando blogs é que se
torna possível manter um “ciclo de visitas”. Geralmente, um blogueiro visita
outros blogs, deixando comentários e indicando o endereço de sua página. Assim,
fortifica-se e se mantém um “ciclo de visitação”.
O que são
comentários? Um espaço aberto para interatividade. Um serviço que não é adotado
por todos, mas bastante útil. Na maioria das vezes, é um link que abre espaços
para o preenchimento do nome, email, página e mensagem do visitante.
Os blogs
são mais antigos do que naturalmente pensamos. O primeiro blog surgiu
aproximadamente na segunda metade da década de 90 e foi de Tim Berners-Lee, com
o nome de “What´s New?”[9].
O segundo weblog era a página de Marc Andressen, também com o nome “What´s
New?”, no National Center for Supercomputing.
Segundo
PAQUET (2002 [on-line]), o primeiro weblog foi o de Tim Berners-Lee “What’s
New?” (“O que há de novo?”), disponível no sítio <http://info.cern.ch/> ,
que levava a novos sítios quando eles apareciam na rede. O segundo weblog era a
página de Marc Andreessen “What’s New?”
, no National Center for Supercomputing, cuja função era similar à
pagina de Lee até meados de 1996. Uma série de outros weblogs apareceu com a
explosão da web entre 1996-1997, incluindo o de Dave Winer, Scripting News, o
de John Barger (que, segundo BLOOD, 2000 [on-line], utilizou pela primeira vez
a palavra weblog para descrever “um punhado de sítios identificados como
weblogs”), Robot Wisdom e o de Cameron
Barrett, Cam World, extremamente personalizados (...)” (SILVA, 2003, p. 23)
Os blogs
mais antigos não trabalhavam com longos textos, apresentando apenas uma lista
de links misturada com comentários. Depois, começaram a aparecer os textos de
gosto pessoal, com aproximadamente 4 linhas de conteúdo.
No
Brasil, segundo SILVA (2003), os primeiros registros foram de dois blogs:
a) Marcos Zamorin, www.zamorin.eti.br,
usando o formato publicação blog, no ano de 2000. Os arquivos dos primeiros
posts ainda estão disponíveis.[10];
b) e o da gaúcha Viviane Menezes, www.wiredkitsune.net/weblog[11],
de acordo com a revista Play[12], que começou a postar em
fevereiro de 1998, em formato HTML[13].
Para que
o usuário tenha facilidade em usar um blog, sem entender de linguagem de
programação para internet (HTML, ASP[14],
PHP[15]),
ele utiliza um servidor de blog, ou seja, um mecanismo que facilita a criação e
edição dos blogs.
Segundo
as informações de PAQUET (2002), citado por SILVA (2003), só em 1999 foram
criadas as ferramentas de auxílio aos usuários. Antes dessa data, os blogs eram
mantidos por webdesigners[16].
Algumas das ferramentas criadas foram Pitas[17],
Livejournal[18],
Blogger[19].
E, em decorrência dessa facilidade, os blogs explodiram e se tornaram uma mania
mundial.
A seguir,
apresenta-se uma lista de ferramentas brasileiras mais populares, seguida de um
breve histórico das mesmas: