Maria Augusta Babo, Universidade Nova de Lisboa
6/4/2000
A questão de que pretendo partir é a seguinte: estará o campo da literatura institucionalizada, abalado com a escrita digital? Tendo a modernidade conhecido a autonomização do campo literário estaremos confrontados a assistir- ao seu fim? Corre a literatura perigo pelo facto de assistirmos à precaridade dos textos, à erosão das fronteiras entre géneros, a uma escrita menos definitiva? Estará, neste sentido a literatura, sua autonomização e seu declínio, dependentes do livro-impresso, do livro-imprensa?
A literatura confundiu-se com o
livro, ela institucionalizou-se com o romance. O texto-totalidade, o texto-livro
atingiu a sua fusão máxima, parece-me, na narrativa romanesca. Aí, a linearidade
do texto impresso confunde-se de tal maneira na sequencialidade narrativa que
a finitude, a clausura do texto parecem óbvias. O efeito de toda a narrativa
é justamente este, o de fazer coincidir a causalidade com a sequencialidade
tornando a temporalidade narrativa um factor de coesão textual. Organizando
a sequencialidade temporal segundo um princípio de causalidade, as grandes narrativas
criam um muthos – uma intriga e um desenlace, conferidores de sentido
ao mundo. Nesta medida, as narrativas são técnicas ou máquinas de ordenação
do tempo, de encadeamento do acontecimento, de modo a, numa lógica em que a
contiguidade se funde ou coincide com a causalidade, "engendrar o sentido".
Ao inscrever o acontecimento num movimento (temporal) e numa finalidade (o desenlace),
a narrativa é portadora de sentido, a narrativa é a própria técnica de conferição
de sentido ao acontecimento e, por extensão, ao próprio tempo: a história não
será outra coisa senão o resultado desta técnica narrativa do encontro da sequência
com a causalidade formando o sentido, e particularmente a ficcionalidade, já
que, também neste caso, não transportando uma referência de primeiro grau, uma
realidade imediata, é seguramente portadora de uma referência mais profunda,
ao mundo em geral, como a que as narrativas literárias por excelência sempre
forneceram.
Curiosamente, o texto-livro das
narrativas ficcionais divide a escrita enquanto produção, da leitura como recepção,
com todas as consequências que conhecemos. Tanto o livro como a pintura de cavalete,
embora portáteis, transportam consigo o lugar do outro como lugar fixo mas exterior,
impondo ao leitor um fio condutor, a própria narrativa como dispositivo essencialmente
unívoco, como a designa U. Eco, ou, no caso da pintura, a perspectiva determinando,
no fora-do-quadro, o lugar do espectador. O que se move, pois, são os objectos
livro, quadro, que determinam no entanto os lugares fixos do leitor-espectador,
exteriores à própria obra. Por outro lado, a distanciação é condição mesma da
compreensão, no regime da interpretação.
Ora as práticas
literárias da posmodernidade caracterizam-se por realizarem o que poderíamos
chamar com vários autores, a experiência dos limites. Limites da narrativa,
da sua clausura, mas também diluição da intriga, e até limites do livro. A noção
de obra aberta, de U. Eco que vem responder a tais rupturas literárias
aparece-nos no início da década de 60, formulando um conjunto de princípios
que irrompem e produzem uma textualidade singular. São eles, a descontinuidade,
a indeterminação, a pluralidade, o acaso como desconstrutor da própria coerência
da intriga e ainda o papel de produtor de significação dado ao leitor.
Esta experienciação dos limites revela-se justamente em práticas de escrita
emergentes com os novos dispositivos tecnológicos que se situam numa hibridação,
hoje muito falada, dos géneros literários, dos próprios sistemas semióticos
que concorrem para a sua fabricação, misturando texto com imagem, com som, etc.
A hibridação é uma explosão de fronteiras e uma recombinatória de sistemas heterogéneos
de significância. A poesia brasileira dos anos 90, por exemplo, sofreu um processo
de hibridação [1] ,
gerado pela erosão de fronteiras entre géneros mediáticos, canção, teatro, videoclip,
e autodenomina-se hoje, "poesia de invenção" arrastando na sua dinâmica,
grupos sociologiacamente determinados, cuja postura social é nova e que usam
a internet como forma de afirmação de grupo
[2] . Segundo a autora desta investigação, a internet permite rever
assim a instituição literária, ou a literatura como instituição literária, de
elite, já que as novas tecnologias possibilitam uma mutação social e novos movimentos
literários.
A focagem de uma tecnologia particular como o hipertexto permite apontar o teor
das transformações da escrita e as suas incidências no literário. Como se sabe,
o hipertexto não é, à partida, um dispositivo textual, como o são os procedimentos
intertextuais. Trata-se antes de uma tecnologia electrónica de armazenamento
e de conexão de informação. Ele responde às necessidades actuais de busca automática
e de cruzamaneto de informação, necessidade à qual respondia já uma configuração
particular do livro impresso, a enciclopédia, acrescentando-lhe contudo a aceleração
temporal que visa a simultaneidade de acesso à informação. Digamos que a finalidade
primeira do dispositivo hipertextual é de natureza enciclopédica e não poético-literária.
Com efeito, a passagem do texto impresso para o texto digital supõe uma sobrecodificação
que tem por função estabelecer ligações - laços textuais- espécie de tratamento
formal do texto, por seu lado suportado por uma sobrecodificação, conjunto de
regras que permite a conexão entre os lugares/texto. Acrescente-se aos sistemas
que suportam o hipertexto, a necessidade de uma cartografia dos textos, que
muitas vezes corre em paralelo ao próprio texto, como carta de navegação e que,
esta sim, será a arquitectura da narrativa, da autoria do seu autor. Do ponto
de vista do utilizador-leitor, este tem a liberdade de executar todas as ligações
possíveis mas sempre no seio daquelas que foram pré-estabelecidas pelo sistema
de sobrecodificação. O que quer dizer que o potencial de remissões que constitui
a própria navegação do leitor está previamente programado, faz parte da própria
máquina hipertextual. A liberdade situa-se ao nível do encadeamento de conexões,
da actualização dessas mesmas conexões, dentro da virtualidade das possíveis.
A programação que sustenta o texto torna-se uma visão anticipativa, uma pre-visão
textual. A actualidade de qualquer percurso não faz mais do que responder ou
confirmar como se queira, a sua previsão, isto é, a antecipação do futuro num
presente que se não o cumpre, pelo menos o configura como possível. Para Lyotard,
é mesmo este o desafio proposto pelas tecnologias de natureza electrónica às
sociedades contemporâneas, elas configuram um outro tipo de narrativas, não
as que encadeiam o acontecimento como acontecimento passado mas sim o de controlar
um processo ao "subordinar o presente ao que (ainda) chamamos 'futuro',
já que nestas condições, o 'futuro' será completamente predeterminado e o próprio
presente deixará de se abrir sobre um 'após' incerto e contingente". A
lógica da previsão pode aplicar-se ao hipertexto ofline e enunciar-se
então deste modo: "nada mais pode acontecer no tempo t', a não ser a ocorrência
programada no tempo t" [3] .
Digamos que o hipertexto pode apresentar-se num leque variado de registos: um
primeiro, é o da própria reconfiguração do livro-representação. Deparamo-nos
aí, com a vocação enciclopédica da "máquina semiótica", potencializando
o acesso rápido à informação e procedendo aos seus cruzamentos úteis; nada de
novo, pois a máquina apresenta aqui a sua finalidade estratégica.
Mas, a questão pode começar a tornar-se interessante, quando o hipertexto prescinde
da sua finalidade primeira, para, digamos assim, descarrilar. Poderemos aplicar
justamente a esta tecnologia do texto a noção de máquina semiótica de W. Flusser,
programada para exercer determinada função, nomeadamente a produção de bens
simbólicos. Mas, tal como Flusser admite [4] <, as máquinas semióticas podem ser subvertidas; é
justamente da criatividade de realização frente ao aparelho técnico que surgem
as dimensões poéticas. É quando a máquina descarrila que começa a entrever-se,
por exemplo, uma verdadeira poética da passagem, do transporte.
Curiosamente, verificamos entre o livro e o texto como entre o texto e o hipertexto,
existirem pontos de cruzamento. Tal cono o texto transborda o livro, desde Mallarmé,
que propõe um livro pluridimensional [5] , assim o hipertexto pode remeter-se a uma função puramente
reprodutora do livro se mantiver uma lógica da representação. Por outro lado,
verifica-se que todo um conjunto de produtos lúdicos, multimédia, jogos video,
hipertextos, são suportados por estruturas narrativas bastante fortes, do ponto
de vista dos seus constrangimentos. Assim, concomitantemente com o que temos
vindo a verificar no que diz respeito à textualidade contemporânea, os dispositivos
multimédia são produtores e re-produtores da máquina narrativa, com a seguinte
diferença: enquanto que as narrativas clássicas, como referimos, separavam exteriorizando,
o lugar do leitor, as narrativas dos novos média interactivos transportam o
leitor para dentro da acção, transformando-o num performer
[6] . Mas este performer deverá integrar-se numa trama que é já narrativa.
Quer dizer que leitor e jogador se confundem numa mesma entidade. "Na sua
forma mais simples, a ficção interactiva requere somente estes dois elementos
que já identificámos para a escrita electrónica: episódios (topics) e decisões
(links) entre episódios." (Bolter, 1991, p.122). A novidade destas propostas
é apresentada ao nível da interacção - como narrativas interactivas -. O que
o performer realmente escolhe são opções de um leque de possíveis pré-determinados.
Talvez que o que surja aqui como dimensão outra será mais do domínio da incorporação
do próprio espectador como actor. E quando digo incorporação, quero mesmo dizer
inclusão do corpo do espectador no espaço tecnológco multimedia. A própria digitalização
da arte e da literatura têm como consequência imediata a nomadização do leitor-espectador,
por um lado, a sua imersão perceptiva e corpórea, por outro, no próprio interior
do texto-imagem. O corpo do espectador tende a ser deglutido, integrado, no
interior do campo ficcional, textual, da realidade virtual, ou ainda no cinema
a 3 dimensões, dinâmico, etc.
Por outro lado, e segundo a análise levada a cabo por Bolter da ficção electrónica
ou hiperficção, uma outra possibilidade é fazer variar a instância de enunciação,
o jogo narrador/personagem: "Na organização electrónica o autor pode refractar
a realidade numa série de perspectivas sem destruir o ritmo ou a compreensão
do texto. Os leitores não precisam de contrapôr todas as facetas do acontecimento
ao mesmo tempo; em lugar disso, a ordem na qual examinam as várias facetas determina
cada experiência do texto"(Bolter, 1991, p.129). Verificamos assim que
a hiperficção, formatada segundo uma trama narrativa que abre no entanto o leque
dos desenlaces possíveis segundo as escolhas que o leitor-decisor vai fazendo,
pode explorar outras vias textuais, como a da desmultiplicação enunciativa,
criando uma pluralidade de vozes, dando ao leitor a liberdade de escolher. "A
ordem pela qual examina(m) as várias facetas determina a sua experiência do
texto", diz Bolter; acrescente se, que será diferente, de leitor para leitor,
de leitura para leitura, embora neste caso, haja sempre um saber narrativo pré-adquirido
que não permitirá a experiência como nova, mas já como variação.
J. Mendes discute justamente esta proliferação de pontos de vista como sendo
o apport dos produtos interactivos relativamente aos clássicos, definindo o
ambiente virtual como "um exercício de ponto de vista", na expressão
de Bolter.
A distinção entre interpretação e interacção pode ser entendida como pertinente
para situarmos os novos produtos digitais se aceitarmos ter havido um descentramento
operado pelos sistemas hipertextuais de produção de hiperficção, por exemplo,
descentramento, dizia, do âmbito da produção para o âmbito da programação -
a produção de um ambiente narrativo é já a arquitectura de todas as combinatórias
e sequências possíveis entre os seus fragmentos - e do âmbito do consumo para
o da decisão - o utilizador é o decisor; é ele o efectivo construtor de narrativas,
no sentido em que actualiza as associações possíveis em sequências efectivas.
Ora, do ponto de vista textual,
quais são as contribuições que o hipertexto traz à literatura? A este propósito
cito como reflexão que me parece sintomática, o rapport Cordier, encomendado
pelo Ministério da Cultura Francês, sobre as questões levantadas pelo livro
electrónico. Saliente-se a perspectiva marcadamente eticista do relatório, adoptando
um tom claramente humanista e que adverte sobre “um risco real quanto à procura
do sentido e da verdade”; o que poderá acarretar, por contradição com o hipertexto,
uma “hipocultura”[7] .
Apesar de um certo tom apocalíptico que paira em certos meios institucionais.
A hipertextualização poderá vir a tornar-se um campo metodológico, tal como
se tornou o próprio texto. E só aí, então, dará lugar à experienciação que a
escrita constitui: indecibilidade do sentido e desafio às configurações inexploradas
do heterogéneo. Enquanto dispositivo, a rede informática define-se por ausências
de pontos nevrálgicos e nessa medida ela está muito próxima do texto-rizomático
[8] , ligando o heterogéneo, desierarquizando e deslinearizando,
anonimizando e infinitizando o texto, operando conexões entre texto, imagem,
sonoridade, permitindo a realização, na escrita, de técnicas como as da "enxertia",
recontextualizando pedaços de textos, segundo a proposta derrideana [9] , mas essa dimensão é, a meu ver uma dimensão poética
da própria escrita que se oferece ainda à exploração. A digitalização da escrita
toca dois pólos extremos: por um lado a fixação mais durável do texto, por outro
a produção textual mais efémera. É nessa contradição ou nessa confluência de
contrários que reside muito do debate hoje encetado acerca do hipertexto. O
arquivo é imenso, infinito e perene, a produção de texto é imediata, não-linear
e efémera. Mas nesta double bind uma característica ressalta: escrever
é publicar. Deparamo-nos com a possibilidade de extinção do inédito, que reforça
a instituição autoral. Em ambiente digital, online, tudo o que se escreve
está automaticamente publicitado/publicado, daí certa resistência penso, das
elites à escrita online. A crise da escrita como instituição literária passa
aqui também pela abolição dos seus rituais que contribuíram para essa institucionalização.
Com este movimento ela tornar-se-á também uma "escrita descartável",
porque contingente; mas não bastará isso para apregoarmos o fim da mediação.
O hipertexto está no ar dos tempos.
E com isto quero dizer que enquanto nova tecnologia de escrita ela passa a ser
incontornável, apesar da sua coexistência com as tecnologias anteriores. Trata-se,
pois, de lhe explorar as potencialidades. Como dispositivo de leitura, por exemplo,
o hipertexto não se limita à sua pretensão de biblioteca universal ele pode
estabelecer-se como um jogo de conexões intertextuais que permitam, nos textos
clássicos, deslinearizar-lhes a leitura. A hipertextualização consiste, a meu
ver, numa transposição das relações intertextuais para o dispositivo hipertextual
permitindo a abertura de trajectos de leitura, colocando textos e fragmentos
desses textos em presença, em diálogo. Mas poderá perguntar-se se esse relacionamento,
essa imbricação que traz os textos à presença uns dos outros, não retira à própria
textualidade a sua dimensão de não-dito, essa indecibilidade que constitui a
própria escrita literária. O sistema de reenvios hipertextuais, conectando textos
mais ou menos díspares, não preencherá nunca a brecha entre eles existente,
já que essa é a condição mesma da escrita: uma relação indissolúvel entre o
dito e o não-dito, um dispositivo aparentemente sem brechas mas que concomitantemente
as cria na sua própria malha. Poder-se-á reactivar, em hipertexto, as próprias
técnicas do cut-up de Burroughs ou do cadavre exquis surrealista,
permitindo ao leitor a elaboração mesma de um texto produzido por cisões e acrescentos,
o seu próprio texto, que, não sendo um texto próprio será, no entanto, um texto
singular.
Como dispositivo de escrita, ele
relança, na escrita em livro, experiências como a de Calvino, em Se numa
noite de Inverno um viajante, que, não sendo uma ficção em hipertexto, transporta
o hipertexto para dentro da própria máquina ficcional.
O desafio que o hipertexto coloca ao livro parece-me ser, entre outros, o de
experienciar um regime de indeterminação entre leitura e escrita que inevitavelmente
se projectará desde agora no próprio texto do livro.
Falência da instituição literatura ou literatura como instituição?
-A internet propicia a abolição da autoria como individualização da obra e a emergência de uma produção diluida e distribuida por uma colectividade autoral, tendente a identificar-se com grupos sociologicamente definidos.
-À instauração e instituição da instância autoral como garante da singularidade da obra, da sua originalidade, sacralizando a obra, opõe-se e sucede a instauração do lúdico como o lugar por excelência do leitor-performer, com a sua inserção numa teoria dos jogos, numa programação do devir, numa gratuidade do fazer, de que depende, no entanto, a "vida" do leitor.
cf. comunicações brasileiras da Arrábida
Bibliografia:
Silvina Rodrigues Lopes, A legitimação em literatura, Lisboa, Cosmos, 1994
Roland Barthes, Le bruissement de la langue, :"l'analyse rhétorique"
Derrida, Psyché ou l'invention de l'autre: "No apocalipse, not now", Paris, Galilée, 1990
Lyotard, O inumano
Ricoeur, P. 1984, Temps et récit II - La configuration dans le récit de fiction, Paris Seuil, p.20
Scheffer, Pourquoi la fiction?
Benjamin, W. O declínio do narrador? /Ricoeur, 1984, p.35
[1] Conceito teorizado por J. Arriscado Nunes, "Fronteiras, hibridismo e mediatização: os novos territórios da cultura", in Revista Crítica de Ciências Sociais, nº 45, Maio de 1996, Centro de Estudos Sociais, Coimbra.
[2] Estou a referir a interessante comunicação de Heloisa Buarque de Hollanda, sobre a poesia dos anos 90 no Brasil e as transformações literárias por ela operadas, "Transformações do espaço cultural", Cursos da Arrábida, 21/22 de Outubro, de 1999.
[3] cf. O Inumano considerações sobre o tempo, Lisboa, ed Estampa, 1989, p.72. apoiado numa análise da monadologia leibniziana, Lyotard propõe uma perspectiva temporal das sociedades capitalistas desenvolvidas em que tudo se joga - jogos de estratégia - numa previsão, suportada pelas tecnologias digitais de globalização. Aí, o futuro antecipa-se no presente: "Garantias, confiança, segurança, são meios para neutralizar o caso como se fosse ocasional, para prever, digamos assim, o ad-vir., p.73.
[4] cf. Filosofia da caixa preta, comentada por A. Machado, "Repensando Flusser e as imagens técnicas", in Revista de Comunicação e Linguagens, ibid, pp31 a45.
[5] Como refere U. Eco (1965, p.29): "Le bloc unique se divisant en plans susceptibles de bascuer pour créer de nouvelles perspectives, et de se décomposer eux-mêmes en blocs secondaires aussi mobiles et décomposables que le premier".
[6] Segundo a designação de Fleischmann, em "O instrumento lúdico ou o sentido dos sentidos", Revista de Comunicação e Linguagens, nº25/26, 1999.
[7] cf. Le Monde, de 23 de Setembro.
[8] cf. Mireille Buydens, "Pour une approche deleuzienne d'internet", in: L'Image - Deleuze, Foucault, Lyotard, AAVV, Paris, Vrin, 1997
[9] in "Signature, événement, contexte" , Marges de la philosophie,